Para festejar o desfecho da ação encaminhada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) que se arrastava há três décadas no STF, os Pataxós Hã Hã Hães planejam um ritual seguido de festa. "É a vitória de uma luta muito grande na qual muitas vidas foram perdidas. Estamos muito felizes", afirmou o coordenador técnico local do órgão, Wilson de Souza. De acordo com ele, ninguém esperava a antecipação do julgamento da ação para ontem - o caso estava na pauta de 9 de maio, mas a ministra Cármen Lúcia propôs a mudança por causa do acirramento das últimas semanas -, mas tal adiantamento foi positivo "para evitar pressão sobre os ministros".
Diretora do Sindicato dos Produtores Rurais de Pau Brasil, Cleile Marta Aguiar diz lamentar a decisão do Tribunal. "Foi uma das piores sentenças do STF. A história de 109 anos de concessão de títulos de propriedade pelo Estado foi desrespeitada. O julgamento deveria ter sido técnico, feito com mais cautela. Ganhou a parte bandoleira do caso, a que achou na Funai um meio de subsistência", declarou.Segundo a fazendeira, pelo menos duas mil famílias, distribuídas em cerca de 400 fazendas, foram obrigadas a deixar suas moradias. A preocupação imediata dos proprietários é retirar seus gados e pertences das terras.
A votação no Supremo, nesta quarta-feira, terminou com 7 votos a 1 a favor dos Pataxós. A reserva abrange as cidades de Camacan, Itaju do Colônia e Pau Brasil. Desde o início deste ano, mais de 70 fazendas foram ocupadas pelos índios. A região é patrulhada por agentes da Força Nacional de Segurança e das polícias Federal, Civil e Militar.
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