Lançado em dezembro de 1997, há, portanto, 14 anos, Glauber Rocha, esse vulcão, do intelectual, professor universitário, jornalista e escritor João Carlos Teixeira Gomes (Joca), não mereceu, na época de seu lançamento, grande repercussão na imprensa brasileira, excetuando-se algumas publicações. Não se pode compreender tal omissão, considerando que o livro é a mais perfeita biografia do autor de Deus e do diabo na terra do sol. Compareci ao seu lançamento na saudosa Livraria Civilização Brasileira, que ficava situada no primeiro piso do Shopping Barra, em Salvador, e tenho o livro, para minha honra, com o autógrafo do autor. Li-o, na época, de cabo a rabo, quase numa só sentada, porque o estilo de Joca é fluente, escreve bem, convidando o leitor a mergulhar nos seus escritos.

Glauber Rocha nasceu em 1939, e, se vivo fosse, estaria com provectos 72 anos, uma idade respeitável, ainda que os progressos da Medicina atualmente façam de um homem dessa idade ainda uma pessoa capaz e atuante. Antigamente, na época de Machado de Assis, por exemplo, um indivíduo, ao entrar na casa dos 40, já era considerado um senhor de idade. Há um trecho num de seus contos exemplares em que Machado dizia que Fulano de Tal, com 41 anos, amargava a velhice que se despertava. Mas Glauber, que morreu em 1981, com a mesma idade do personagem do nosso maior escritor, era um adulto jovem. A imagem que ficou desse que é o mais expressivo realizador cinematográfico brasileiro de todos os tempos é a do Glauber ativo, falante, animador, provocador (basta vê-lo já nos seus estertores no programa Abertura da extinta TV Tupi).
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