Com formação de tecnocrata, a presidente Dilma Rousseff só toma decisões depois de esgotar o debate sobre qualquer problema que chega à sua mesa. Assim acaba de acontecer com o Código Florestal, que ela decidiu vetar parcialmente, depois de muita conversa com lideranças dos partidos que apoiam seu governo e representantes do agronegócio e do meio ambiente. O que se diz no Congresso é que, com os vetos, a presidente Dilma Rousseff não atendeu nem aos ruralistas nem aos ambientalistas. Para definir sua posição, teve uma reunião de mais de sete horas com alguns ministros, como o da Agricultura, Mendes Ribeiro, e a do Meio Ambiente, Isabela Teixeira. Ainda não se sabe como ficou o texto do Código Florestal depois dos vetos. O líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves, acaba de advertir que o governo dará “um tiro no pé” se tentar ressuscitar, total ou parcialmente, o projeto do Código Florestal tal como foi aprovado no Senado.
Os interesses são sempre opostos. Os representantes do agronegócio querem que lei amplie a área de produção (de agricultura e pecuária, entre outros) e não obrigue os proprietários a pagarem pelo reflorestamento ou multas. Sustentam que as alterações na lei podem diminuir a quantidade de alimentos no país. Por outro lado, os ecologistas defendem a necessidade de uma maior proteção ao meio ambiente e à biodiversidade, além do cumprimento de multas já estabelecidas na lei anterior. Por sua parte, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar havia recomendado à presidente Dilma Rousseff o veto integral do projeto, por julgar que ele traria “graves impactos sobre a segurança alimentar e nutricional da população brasileira”. A instituição acredita que o texto do novo Código Florestal contém dispositivos que ameaçam destruir as principais riquezas do Brasil: seus recursos florestais e hídricos."Para este Conselho é possível produzir alimentos em harmonia com a natureza ou com baixo impacto sobre o meio ambiente (é o caso dos sistemas agroecológicos e da produção orgânica). Além disso, vem de longe o entendimento de que os problemas da fome e dos altos preços dos alimentos não são resultado da baixa produção de alimentos, mas sim de estruturas sociopolíticas e econômicas injustas – que o Projeto de Código Florestal tende a agravar. Ademais, sabe-se que parcela significativa das terras hoje ocupadas estão subutilizadas", afirma o relatório do Conselho Nacional de Segurança Alimentar.
Os problemas não ficam só nisso. Os pequenos proprietários de terras também se revelam contrários ao texto do Código Florestal aprovado no Congresso, por “tratar como iguais” os latifundiários e os pequenos lavradores. Essa é uma distinção que deve ser definida de forma clara, mais adiante, segundo os pequenos proprietários de terra. Como bem disse o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves, a polêmica sobre o assunto está longe de acabar.
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