A timidez é um traço de personalidade que não é bem aceito nas
competências exigidas pelo mercado de trabalho, por ser um comportamento
que inibe as pessoas e interfere nas relações interpessoais. Geralmente
as pessoas com essa característica enfrentam mais dificuldade na hora
de conseguir emprego e, muitas vezes, quando passam pelo teste de
seleção, são logo desligadas da empresa por não apresentar um bom
desenvolvimento profissional.
Envergonhada, Bárbara Tenório, de 22 anos, concluiu o curso técnico
de contabilidade no final do mês de novembro e ainda não conseguiu
arrumar um emprego na sua área profissional. Tudo por causa de sua
timidez na hora de uma entrevista de seleção. “Só falo o que me
perguntam na hora da entrevista e quando vou à dinâmica de grupo fico
acanhada e calada. Sempre tem alguém que fala mais”, conta Bárbara,
afirmando saber que esse é um dos motivos dela não ficar no emprego.
“Muitas vezes eu sei na minha cabeça o que quero falar, consigo pensar
em tudo, mas na hora de me expressar as palavras não saem. Acabo
respondendo ‘sim’ ou ‘não’”.
Seu acanhamento é tão grande que a concluinte de contabilidade
preferiu fazer um curso técnico para encarar uma faculdade. “Quando
soube que na faculdade é preciso apresentar um projeto no final do
curso, desisti. Eu não consigo falar em público, isso me deixa bem
constrangida. Na época da escola eu sofria horrores na hora de
apresentar os trabalhos”, lembra.
A timidez não está ligada a falta de competência, é o que explica a
psicóloga da empresa de RH Fator Humano, Rosana Andrade. Segundo ela, a
inibição não é um empecilho na hora da seleção. Muitas vezes empresas
preferem contratar pessoas reservadas, dependendo do cargo. “Ser tímido
não é o mesmo que não ter competência. Às vezes se torna mais coerente
selecionar uma pessoa mais reservada a uma comunicativa. Um exemplo é o
setor financeiro, as empresas vão preferir as pessoas mais recalcadas”,
explicou.
Hoje em dia é comum encontrar uma pessoa tímida e calada,
principalmente na hora da procura por emprego. E esse tipo de
comportamento nem sempre é por conta da ansiedade de quem está
concorrendo a tão almejada vaga naquela empresa dos sonhos. “Muitos são
assim desde a infância e isso não se resolve do dia para a noite. É
preciso enfrentar esse medo. É uma questão automática da escola, do
aluno mais quieto e calado ser o mais inteligente”, lembrou Rosana
Andrade.
Para a psicóloga, o fato do profissional permanecer calado na hora da
seleção de um emprego, também não significa timidez. Isso pode
acontecer também pelo nervosismo de falar em grupo. “As pessoas
geralmente ficam em silêncio durante o recrutamento por conta do
nervosismo. Há quem já se mostre mais extrovertido, o que não significa a
conquista da vaga. Às vezes o tímido consegue desenvolver um trabalho
mais eficaz”.
De acordo com Rosana, uma pessoa mais retraída precisa combater o
medo e aos poucos se soltar e se mostrar. “Hoje em dia empresas são
contratadas para esse tipo de seleção, o que já ajuda a definir o
verdadeiro perfil para a vaga. Alguém que não se mostra é complicado de
avaliar, mas isso cabe ao recrutador ‘arrancar’ as informações das
pessoas tímidas”.
O autoconhecimento é a primeira etapa para iniciar o processo de
mudança interna em qualquer campo O profissional tem que levantar a
cabeça, encarar o mundo e ver que a timidez é menor que a força interna.
“Mas se esse ponto for fundamental na busca de emprego, é necessário
procurar um acompanhamento psicológico para combater esse problema”,
finalizou Rosana Andrade
Fonte: TATIANE ACCIOLY, da Folha de Pernambuco
Nenhum comentário:
Postar um comentário