Há quem diga que Marisa Monte é a atual musa da Música Popular
Brasileira e a cantora/compositora mais completa de sua geração. Se é ou
não, essa discussão é para outro momento. Porque em cima do palco do
Teatro Guararapes, no primeiro dia de show da sua turnê “Verdade, Uma
Ilusão”, no Recife, Marisa esbanjou musicalidade, plasticidade,
versatilidade, empatia com o público e simpatia.Diferente de muitos músicos que limitam sua apresentação ao “feijão com arroz”, Marisa Monte – além de cantar, claro – dominou instrumentos de corda, dançou, lembrou momentos marcantes de sua trajetória enquanto cantora, brincou com o público e até pediu para um fã declamar o conhecido trecho da obra “O Primo Basílio” (de Eça de Queiroz), parte do single “Amor I Love You” (em estúdio, a gravação está na voz de Arnaldo Antunes).
Quando subiu ao palco, por volta das 22h15, uma tela fina separava a cantora e a banda da plateia, e servia como pano de fundo para a reprodução dos envolventes efeitos visuais -presentes em todo o espetáculo -, enquanto ela abria o show com uma das melhores faixas do seu novo álbum, “O que você quer saber de verdade”. O público devolveu o presente e cantou em coro. Entre uma música e outra, Marisa soltava a sua particular contagem introdutória, a doce e cadenciada “um, dois, três, quatro”.
O show fluiu entre as canções de seu recente trabalho, como “Descalço no Parque”, “Amar Alguém” e “Depois” (uma das mais aguardadas), e músicas de outros discos, como “Arrepio”, “Infinito Particular” e “Eu Sei (Na Mira) (sucesso na voz de Negra Li)”.
Algumas interpretações, contudo, merecem um destaque especial. Foi o caso de “Ilusión” (conhecida por sua parceria vocal com Julieta Venegas) e “E.C.T.”, imortalizada no vozeirão de Cássia Eller. Nesse momento, Marisa declarou seu amor à mãe de Chico e de quanto ela fazia falta não só na música brasileira, como na sua vida. Outro momento emocionante foi quando a cantora revisitou a sutil “De mais ninguém” e “Beija Eu”, frutos de sua parceria com Arnaldo Antunes. Marisa contou como conheceu Arnaldo e confessou sua antiga idolatria pelo ex-Titãs.
O show teve dois ápices. O primeiro se deu quando a artista cantou e dançou a esperada “Ainda Bem”, que pareceu, inclusive, ser uma de suas músicas prediletas, graças ao toque apaixonado e peculiar com que interpretou a canção.
O segundo ponto alto foi quando Marisa Monte retornou após aquela tradicional encenação de encerramento do show. A plateia, já de pé, acompanhou em coro quando a artista tocou Lia de Itamaracá, “Maracatu Atômico” (Chico Science & Nação Zumbi) e recebeu no palco o sanfoneiro Waldonys, que vem participando de alguns de seus trabalhos.
A banda que acompanhou Marisa também foi um show à parte, investindo, durante quase toda a apresentação, em instrumentos de corda. Mas era de se esperar. Além de seus velhos parceiros Dida (bandolim) e Carlos Trilha (teclado), a banda contava com integrantes da Nação Zumbi: Pupilo (bateria), Dengue (baixo) e Lúcio Maia (guitarra).
A cantora, aliás, rendeu homenagens aos músicos pernambucanos, ressaltou o quanto são prestigiados e soltou: “Eu vou cuidar muito bem dos meninos da Nação Zumbi. Um dia eu devolvo eles para vocês”. Deve-se imaginar a reação da plateia. A sintonia do grupo se completava com Glauco Fernandes e Pedro Mibielli nos violinos, Bernardo Fantini na viola e Marcos Ribeiro no violoncelo.
Ao final do show, na saída do teatro, os comentários eram de que a apresentação tinha superado as expectativas. Pudera! Quem resiste ao talento de Marisa Monte?
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