As drag queens estão de volta. No rastro da tendência anos 90 que invadiu a moda, Walério Araújo, estilista pernambucano radicado em São Paulo e, ele mesmo, ex-drag queen, inspirou-se nas figuras notívagas exageradamente travestidas e purpurinadas que a década pariu. Elas viraram tema da coleção que o estilista exibiu na terça-feira (21), na estreia da primeira edição do Recife Moda & Música (RMM), que vai até a quinta-feira (23), no Espaço Carvalheira, na Imbiribeira.
Há dois anos sem desfilar no Recife, Walério contou, no backstage, que mostrou uma drag queen atual, com mais informação de moda. Na passarela, elementos remetiam a rainhas e dragões, traduzindo literalmente o nome drag queen. Muito couro, silicone, musseline, tule e jérsei em plissado, acessórios metalizados, corpos seminus, silhuetas justíssimas em nude, laranja, fúcsia, roxo e preto. A coleção foi a mesma desfilada na última edição da Casa dos Criadores, em São Paulo.
Mesmo não sendo uma coleção inédita, foi a mais autoral exibida no primeiro dia do evento. Mas só para exibição mesmo, já que Walério não vende por aqui e nem pretende. Longe do comercial, as criações do estilista são peças-espetáculo, para quem gosta de se montar para sair à noite. “Hoje em dia ninguém faz isso. Produzo mais sob medida”, diz. Artistas como Elke Maravilha, Cláudia Leite, Fafá de Belém, Maria Rita, Adriane Galisteu e Preta Gil são suas clientes assíduas.O primeiro dia mostrou ainda a também não inédita coleção da Club Noir, com o barroco exibido em algodão pela estilista Flávia Azevedo. Já a Rush veio com uma coleção cápsula de transição entre estações, a Cosmogalaxy. A marca conseguiu fazer o que seria ideal em todo desfile: no dia seguinte, as peças ainda inéditas nas lojas já podiam ser adquiridas. De fato, não causa muito entusiasmo assistir a um desfile da Forum com peças que já estão nas araras das lojas. A grife mostrou o inverno 2013.
Boa surpresa foi o desfile da Kikorum. A marca do Agreste colocou no jeans as tendências de fast-fashion que estão bombando no momento, com pegada jovem que lembra marcas voltadas para o mesmo público, como a Colcci.
Para Walério, o novo evento de moda recifense é mais fashionista do que outros realizados por aqui. “É mais intimista, mais direcionado ao universo da moda”, opina. Já Flávia achou o RMM parecido com o Moda Recife, outro evento que já está consolidado no calendário local. “Acho que os dois eventos deveriam ter unido forças. Acabou criando uma concorrência”, acredita Flávia.
Ainda sem uma identidade definida, o RMM, idealizado pelo Sindicato das Indústrias do Vestuário de Pernambuco (Sindivest/PE), nasce com a proposta de preencher a lacuna de uma mostra de moda forte na capital, que exiba marcas e identidade local. Mas investiu em um bom espaço, boa estrutura e equipe com ótimos profissionais. Por lá circularam estudantes de moda, empresários, lojistas e blogueiras. Cerca de 500 pessoas compareceram à estreia.
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