Filhos e netos de pernambucanos perseguidos pela ditadura militar
tiveram seus pedidos de indenização financeira e moral aprovados pela
Comissão Nacional de Anistia, que julgou 16 casos ontem, em sessão
especial ocorrida em Brasília. Entre os contemplados, estão três filhos
do ex-governador Miguel Arraes, exilados junto com o pai na Argélia, os
dois netos do líder das ligas camponesas Francisco Julião, que nasceram
em Cuba em decorrência dos obstáculos impostos pelo período de exceção, o
filho do pedagogo Paulo Freire, obrigado a exilar-se com o pai e a mãe
no Chile, e os dois filhos do deputado estadual Luiz Cláudio Braga
Duarte (PST), cassado na primeira leva pelo regime e obrigado a partir
para o México. O valor da reparação financeira é de R$ 100 mil para cada
um, pagos em parcela única.
Conselheiro da Comissão de Anistia, o pernambucano Manoel Moraes
comentou que a sessão foi marcada pela emoção. Um dos relatos mais
fortes partiu do filho de Paulo Freire, o cientista social Lutgardes
Costa Freire, 55 anos, que disse ter sofrido com a constante sensação de
medo e perseguição. Outro conselheiro, Mário Miranda, lembrou que
nascer no exílio àquela época significava ver negada, inclusive, a
cidadania brasileira – caso dos filhos de Francisco Julião.
Com processos ingressados em 2012 e 2013, os filhos de Miguel Arraes,
o médico Luiz Cláudio Arraes de Alencar, o economista José Almiro (o
mais velho) e o administrador de empresas Marcos Arraes não estiveram
presentes à sessão. A relatora desses três casos, conselheira Sueli
Bellato, explicou como fundamentou o voto pelo deferimento da
indenização.
“Eles, quando o governador foi deposto, moravam dentro do Palácio das
Princesas, assistiram a prisão do pai, principalmente o mais velho, que
tinha 17 anos. Foi algo muito traumático. Arraes foi levado ao presídio
de Fernando de Noronha, sem comunicar a família, passando lá sete
meses. Os filhos ficaram entregues a duas tias até o falecimento de Dona
Célia, mãe deles. Até que Arraes consegue o exílio na Argélia, aos
poucos vai levando os filhos, que ficaram até 1979. Nós avaliamos que
esse impacto não é carregado só na infância, mas resta por toda a vida”,
disse Bellato.
HOMENAGEM
A Comissão de
Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa recebeu projeto de lei
que denomina o prédio que abrigará o novo plenário do Legislativo, que
deve ser inaugurado até 2015, de Edifício Deputado Miguel Arraes de
Alencar. O projeto foi distribuído para o deputado e líder do governo na
Casa, Waldemar Borges (PSB).
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