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Havelange foi presidente da Fifa de 1974 a 1998 e um documento divulgado pela Justiça da Suíça recentemente também sugeriu que Joseph Blatter, que sucedeu o brasileiro no cargo, sabia sobre um pagamento de 1 milhão de francos suíços para o ex-mandatário da entidade em 1997.
O caso de Havelange também envolve Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, com pagamentos que totalizaram US$ 22 milhões entre 1992 e 2000. Pressionado pelas denúncias, Teixeira renunciou aos seus cargos no futebol no ano passado.
No relatório que apresentou nesta terça, Hans-Joachim Eckert escreveu que Havelange e Teixeira agiram com uma "conduta moralmente e eticamente reprovável", mas enfatizou que aceitar propina não era considerado um crime na Suíça na época do ocorrido. Ao mesmo tempo, o juiz alemão pontuou: "Entretanto, é claro que Havelange e Teixeira, como dirigentes de futebol, não deveriam ter aceitado qualquer dinheiro de suborno, e deveriam ter de devolvê-lo desde que o dinheiro estivesse em conexão com a exploração de direitos de mídia".
Também acusado de receber propina, o paraguaio Nicolás Leoz, de 84 anos, deixou a presidência da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) na semana passada, assim como o seu posto no Comitê Executivo da Fifa. A decisão também teria sido tomada para evitar possíveis punições, embora o dirigente tenha alegado razões de saúde para renunciar aos seus cargos no futebol. Ele teria recebido US$ 730 mil em subornos, mas nunca enfrentou uma investigação da Fifa.
Pelo fato de Havelange ter renunciado, Eckert disse, por meio do relatório publicado nesta terça-feira, que qualquer medida ou sugestão de punição a ser tomada contra o brasileiro teria caráter "supérfluo", e o mesmo acaba valendo para Teixeira e Leoz.
Agora oficialmente fora da entidade máxima do futebol mundial, Havelange já havia renunciado, em dezembro de 2011, ao posto de membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), do qual fez parte por 48 anos. Na época, ele também alegou problemas de saúde para a renúncia, mas a decisão teve claro caráter político, pois ocorreu dias antes de a entidade olímpica definir se iria suspendê-lo por causa das denúncias de corrupção durante a investigação sobre o caso da ISL.
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