
A medida encontra restrições de especialistas, como o professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Ellery, por causa do momento escolhido. Para o economista, a determinação de reduzir juros é conhecida há tempos, e a rentabilidade da poupança já havia se tornado um obstáculo em 2009, quando a Selic atingiu níveis próximos aos atuais. À época, o então presidente Lula tentou taxar cadernetas de poupança com mais de R$ 50 mil com Imposto de Renda, mas a proposta foi bastante criticada e caiu no esquecimento.
"O problema é que se o governo tivesse resolvido isso com a Selic a 12% teria sido fácil propor essa mudança aos poupadores. Depois, quando a taxa caísse, justificaria a mudança, mas o governo deixou para resolver com o problema já estourando. Isso que o governo quer fazer é muito provável que signifique perda de rentabilidade na poupança, o que vai gerar uma reação mais do que justa. Afinal, ninguém quer ser prejudicado na sua renda em prol de objetivos gerais que não são muito bem mensurados", analisou.
Até o momento, a mudança não está definida, porque o governo precisa estudar todas as implicações econômicas e jurídicas para não ser preciso fazer alterações. "Se ela quer que os juros cheguem a padrões internacionais, a mudança das regras da poupança é uma decorrência natural", disse outro auxiliar.
O cálculo do governo é que a migração dos investimentos para a poupança ocorreria com a Selic menor de 8,5%. Para conter esse movimento, o Ministério da Fazenda entregou duas propostas para a presidente Dilma. A primeira seria abandonar o rendimento atual da poupança, que passaria a ter rentabilidade equivalente a 80% da Selic. Outra proposta também prevê extinção da TR e do rendimento de 6,17% com a definição de até nove faixas de rentabilidade, dependendo do valor investido. A presidente também estuda reduzir o rendimento de novas poupanças com mais de R$ 50 mil a 80% da TR.Hoje, Dilma terá uma sequência de reuniões com vários setores para tratar de redução de juros e provavelmente sobre poupança. Para o início da tarde, ela convocou o Conselho Político, que reunirá ministros de cúpula, presidentes de partido e líderes da base aliada. Em seguida, ela receberá centrais sindicais e trabalhadores do campo e, depois, empresários.
Nos cenários estudados, uma possibilidade pode ser a de que se incida o Imposto de Renda para PLRs superiores a R$ 5 mil. Outros cenários sugerem o teto de até R$ 10 mil. A partir do teto, seriam criadas faixas para tributação escalonada. Quanto mais alto a PLR, maior a incidência do Imposto de Renda. O governo ainda espera dados finais sobre quanto de renúncia fiscal, isto é, quanto o governo deixará de arrecadar com as diferentes possibilidades de isenção.
Nenhum comentário:
Postar um comentário