Em 2005, Andréia foi convidada para dar um curso no Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), sobre a técnica de fazer cestas com canudinhos de revistas e de jornais. Ela, então, pediu para que Adalton a ajudasse com o material. Foi quando seu marido percebeu que os canudinhos mais finos poderiam ser usados para criar miniaturas de animais.
O burro foi o primeiro animal que Adalton tentou construir. “Minha inspiração foi os burros que meu pai usava para transportar milho e café”, lembra Adalton, que ainda tem memória visual de quando enxergava. Foram muitas tentativas até chegar à perfeição. Hoje, a “fazenda de canudos” já tem bois e até girafas. “No começo, as girafas pareciam cavalos de pescoço grande”, conta Adalton. Durante as feiras do agronegócio – onde o casal vende o artesanato – Adalton e Andréia aproveitam para conhecer melhor as raças de bois, touros e vacas. Por meio do tato, eles conseguem aperfeiçoar os detalhes das miniaturas. “Nós tocamos nos chifres, na pele e nas orelhas. Também conversamos com os pecuaristas sobre os detalhes do animal”, explica Andréia, que era desenhista antes de perder a visão. Para fazer as girafas, foi preciso estudar miniaturas de plástico do animal.
Ela e o marido trabalham em conjunto: Adalton constrói a estrutura dos animais, com folhas de jornal, e Andréia faz o acabamento, como os músculos e as curvas. Ela explica que são usadas folhas de revista para os detalhes porque elas são mais resistentes e coloridas.
Na 18a Feira Internacional da Cadeia Produtiva de Carne (Feicorte), que aconteceu no mês de junho em São Paulo (SP), os artesãos venderam cerca de cinquenta peças. Andréia garante que o artesanato é um sucesso nesses encontros, onde há muitos estrangeiros que são atraídos pela peculiaridade dos produtos, que variam entre R$ 28 e R$ 180. Para conseguir montar esta quantidade de miniaturas é preciso quase um ano de trabalho. Adalton explica que uma única peça passa por suas mãos entre cinco ou seis vezes.
Hoje, o casal vive em Uberlândia (MG), onde a família de Andréia ajuda na criação do pequeno Rafael, de 1 ano e 3 meses. Os artesãos já fazem encomendas para lojistas de vários locais do Brasil. Eles também vendem peças via internet (pelo e-mail adalton_andreia@hotmail.com). O cliente pode enviar um e-mail pedindo fotos dos modelos, que são mandados pelos Correios.

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