Para executar o projeto, eles contrataram profissionais que já atuaram em favelas da Grande São Paulo, comunidades indígenas e vilas de pescadores espalhadas pelo Brasil.Segundo a Unicef, a cada mil crianças nascidas vivas em Angola, 158 morrem antes de completar cinco anos. O país ocupa o oitavo posto entre as nações com maior taxa de mortalidade infantil do mundo. No Brasil, 107º do ranking, há 16 mortes a cada mil crianças nascidas.
Cemitérios clandestinos
Quando o grupo começou os trabalhos de campo, porém, notou que a situação era ainda mais grave do que as estatísticas revelavam.
"Nas nossas andanças pela região, encontramos muitos cemitérios clandestinos", diz Giovanazzi à BBC Brasil . "Muita gente nasce e morre sem nuca ter sido registrada."
"A experiência no Brasil serve, mas aqui é preciso reaprender tudo. Em termos de saúde, algumas regiões angolanas estão vivendo o que Brasil viveu há cem anos."
Uma das recrutadas no Brasil por Giovanazzi para o programa, a educadora e psicóloga Maria Pia Falchi, 62 anos, dá a escala do desafio: "Enquanto no Brasil já se discute como reciclar o lixo, como poupar a camada de ozônio, aqui a discussão é onde pôr o lixo, como lidar com animais domésticos, onde fazer as necessidades. Temos de lidar com o beabá".
Ao lado da bióloga Maria Aparecida Bernardes, 53, e da enfermeira Maria Julieta Guerrieri, 61, Falchi é responsável por formar grupos voluntários de "vigilantes de saúde" em cada um dos dez distritos onde atuam.
"Trabalhamos com voluntários para que, ao sair, eles mantenham as ações", explica Giovanazzi.

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