Se 2012 foi um bom ano para o teatro pernambucano, 2013 promete ser ainda melhor. A julgar pelos resultados dos editais já aprovados, a produção pernambucana vai se fazer mais presente nos outros estados, aumentando a circulação das obras locais. Além dos contemplados pelo Funcultura para levar o repertório para além de Pernambuco, o Prêmio Myriam Muniz, um dos mais importantes de artes cênicas no Brasil, financiará a circulação dos espetáculos “Vestígios”, de Antonio Cadengue, “O Beijo no Asfalto”, de Claudio Lira; “Duas Mulheres em Preto e Branco”, e “O Amor de Clotilde Por Um Certo Leandro Dantas”, da Trupe Ensaia Aqui e Acolá.
E a tendência para o próximo ano parece ser mesmo aprofundar as conquistas de 2012. O Grupo Magiluth, por exemplo, teve quatro projetos aprovados pelo Funcultura, o que, segundo Pedro Vilela, integrante do grupo, foi uma surpresa, uma vez que o coletivo nunca tinha sido contemplado pelo edital. Entre as conquistas está a circulação nacional do repertório dos pernambucanos, assim como o financiamento da pesquisa de linguagem do grupo.
O ano que vem marca as comemorações de dez anos do Coletivo Angu. Um dos responsáveis pela renovação da cena teatral do Estado e um dos maiores expoentes do teatro pernambucano no País. O Angu pretende fazer uma série de atividades para comemorar a data. Quem também celebra uma década de atividades em 2013 é a Companhia Fiandeiros, que, em 2012, circulou com o espetáculo “Noturnos” por várias cidades do País, como Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Curitiba.
O grupo mantém, desde 2009, o Espaço Fiandeiros, que fica na rua da Matriz. Este ano, a sede do coletivo se firmou como um importante espaço alternativo de apresentações na Cidade. Torcemos para que o local seja ainda mais utilizado em 2013 e que entre de vez na rota do público. No que depender da Fiandeiros, o local será palco de várias atividades no próximo ano. Entre elas leituras dramatizadas, monólogos, novos cursos e oficinas, além da inauguração de um banco de textos de autores pernambucanos, projeto financiado pelo FUNCULTURA.
Para o próximo ano, é esperada a vinda do Grupo Galpão ao Recife, que, segundo o ator Eduardo Moreira adiantou em entrevista à Folha de Pernambuco, deve trazer seu novo trabalho, “Os Gigantes”, baseado na obra do italiano Pirandello. No blog do coletivo, inclusive, Moreira afirma estar surpreendido com a força do novo teatro nordestino e elogia os esforços dos artistas em construir novas pontes entre si e com as outras regiões do País. Quem também vem para a Cidade é o Grupo Bagaceira de Teatro (CE), que ocupará o Centro Cultural da Caixa com seu repertório, no segundo semestre.
Como comentamos na retrospectiva rapidamente as demandas da classe teatral, não poderíamos deixar de projetar nossos desejos de melhoras nesta sessão de expectativas. A questão dos espaços de encenação na Cidade está mais crítica a cada ano. Se por um lado há o fator positivo de que a produção está mais encorpada e, portanto, há mais demanda por pautas, o fato é que os teatros existentes têm apresentado problemas estruturais que dificultam a vida dos artistas. Nesse sentido, os espaços alternativos têm se mostrado uma solução e é benéfico que mais deles sejam instituídos. Mas essa não é a única solução, e é preciso que a Prefeitura zele pelos teatros.
No que diz respeito aos projetos aprovados pelo Funcultura, destacamos o investimento na pesquisa de linguagem de grupos. Ainda que os recursos ainda sejam tímidos, a consciência de que é necessário dar condições para que os artistas possam desenvolver suas pesquisas, o que reflete diretamente na qualidade da produção local. Que as cortinas se abram para 2013.
Fonte: MÁRCIO BASTOS Folha PE

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