Adoecer e, consequentemente, ter que se deparar com a rotina de um
hospital não é nada agradável para ninguém. Sempre surge uma ansiedade
aliada à incerteza da gravidade que aqueles sintomas representam ao
quadro clínico. Portanto, nessas horas, quanto mais o paciente conseguir
relaxar e se desligar desse estresse, mais fácil será para ele
enfrentar o problema. É, justamente, esse alívio no âmbito hospitalar
que o Programa Manifestações de Arte Integradas à Saúde (Mais) se propõe
a levar ao Hospital das Clínicas (HC), vinculado à Universidade Federal
de Pernambuco (UFPE).
O Mais surgiu como um projeto há cinco anos. Apenas no ano passado, ele foi elevado ao título de programa e já consegue expressar resultados significativos. De acordo com a coordenadora e idealizadora da iniciativa, a patologista Leniée Maia, a ideia de criação apareceu à medida que foram sendo constatadas as interferências do estresse nos pacientes. “Ele é um retardador da cura e propiciador de novas doenças”, explicou. Neste caso, descobriu-se que, através do uso de instrumentos artísticos - intervenções musicais, de dança, contação de histórias, teatro -, era possível elevar a autoestima dessas pessoas e proporcionar melhorias.
Semanalmente, o Mais consegue realizar cerca de 20 atividades em todo o HC. Os setores que mais recebem os serviços com maior regularidade são os de Quimioterapia, Hemodiálise, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a Ginecologia e o Alojamento das Mães. Até o momento, uma média de duas mil intervenções já foram realizadas. Para isso, mais de 15 professores e, aproximadamente, 150 alunos estão envolvidos.
As estudantes de Biomedicina Mariana Cavalcanti, 22 anos, e de Medicina Raíssa Freire, 21 anos, são integrantes do Programa. Ambas formam a dupla Ninete Butijão e Cordélia de Jesus, respectivamente. Isto porque elas fazem o trabalho de palhaçoterapia e representam esses dois personagens durante as visitas semanais no HC. “A gente faz quatro intervenções em cada setor. Depois, fazemos um rodízio. O ambiente do hospital já é uma coisa tão sóbria que, quando os pacientes e acompanhantes veem a gente, eles ficam surpresos e contentes de estarem sendo recebidos por algo diferente”, externou Mariana.
Marcielle Samara Nogueira, 17 anos, que estava internada no HC desde o dia 5 deste mês, teve a oportunidade de presenciar a visita de Ninete e de Cordélia. Residente em Belo Jardim, a jovem precisou se deslocar ao Recife após uma crise de Lupus. “Eu tomava remédios normalmente e estava com meu quadro regular. Mas veio a crise por causa de uma inflamação que tive nos rins e precisei vir ao hospital. Aqui, fui recepcionada por essa animação”, pontuou.
Fonte: RENATTA GORGA, da Folha de Pernambuco
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