sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Moradores reclamam de desocupação


O desalojamento de 1,3 mil famílias e o consequente fim do Conjunto Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes. É assim que moradores do habitacional têm encarado a iminência de mais uma iniciativa de desocupação, planejada pela Defesa Civil do município para os próximos meses. A necessidade de interditar os prédios para a realização de projetos de restauração ou reconstrução é a justificativa apontada pelo órgão. Quem mora por lá, no entanto, apesar de garantir que não se nega a sair, reclama que as obras em outros imóveis desocupados no ano passado sequer começaram. Muitos temem ficar na mesma situação dos moradores já retirados: não saber quando ou se vão poder voltar para casa.
No início desta semana, as pessoas que denunciam o problema receberam um documento da Prefeitura de Jaboatão, por meio do qual foi informado o cronograma inicial da ação. O informativo define 43 blocos localizados nas quadras 1, 2 e 4 do residencial como alvo de um cadastramento relacionado ao benefício do auxílio-moradia. A data da desapropriação não foi informada, mas, conforme os residentes da área, vai afetar quase todos os moradores do conjunto.
Como forma de protesto, a comerciante Carmen Lúcia de Araújo, 53 anos, conta que não pretende deixar o local em que vive há mais de 30 anos a menos que perceba avanços na restauração das outras edificações. “Querem ‘exterminar’ nossa comunidade de vez. O pessoal da quadra 3 já saiu e agora vão tirar o resto desses outros blocos. Já tivemos reuniões em Brasília, com a Caixa (Econômica Federal), e sabemos que os projetos de recuperação existem. Mas não temos garantia nenhuma de que vamos voltar. Tudo fica no papel. Queremos ver resultados”, reclamou.
A comerciante ainda se queixa de que prédios em bom estado também estão sendo apontados como perigosos à vida. “Não podem generalizar. Têm muitos prédios bons aqui, mas só porque é (do tipo) caixão, ficam condenando todos. Não tenho motivo nenhum para sair daqui, muito menos sem ver reforma nenhuma nos outros”, asseverou Carmen Lúcia.
Já a moradora Vera Lúcia Ribeiro, 54, dispõe de um laudo feito cinco anos atrás, por meio do qual não foi apontada a possibilidade de desabamento do prédio em que ela mora, na quadra 4. A conclusão foi apresentada pelo mesmo instituto responsável pelo estudo de restauração dos edifícios já desocupados. Ela reclama que nem essa comprovação foi capaz de impedir que o edifício em que mora entrasse para a lista dos que virão a ser interditados. “O laudo apontou que era necessário reparar as vigas e algumas áreas da escadaria. Contratamos uma empresa de construção confiável e fizemos o que pediram com dinheiro do nosso próprio bolso. Agora, a ordem judicial diz que nosso laudo não vale e querem desocupar um prédio que não tem nenhum problema”, denunciou.
Fonte: LUIZ FILIPE FREIRE, da Folha de Pernambuco

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