
A empresa também anunciou que prepara uma atualização para o sistema, prevista para o segundo semestre, em que deve adaptar o sistema para os consumidores que não se adaptaram ao Windows 8. Desde o lançamento do sistema, em outubro, a empresa diz ter vendido 100 milhões de licenças ao todo, o que inclui novos computadores e tablets vendidos com o novo sistema, como também os consumidores que atualizaram seus PCs e notebooks para o Windows 8.
Para especialistas, a substituição do familiar desktop e das barras de tarefas por uma série de "tijolos" personalizados em tela touchscreen foi uma cartada corajosa, mas que confundiu a muitos usuários de PC - que preferiam uma abordagem mais tradicional.
Em entrevista ao jornal Financial Times ontem, a chefe de marketing e finanças da Microsoft, Tami Reller, disse que os "elementos-chave" do sistema operacional vão passar por alterações quando a Microsoft lançar uma atualização do sistema operacional, ainda neste ano.
Em um texto publicado no blog da empresa, Reller disse que a atualização tem o codinome de "Windows Blue" e também servirá para adaptar o sistema operacional à nova geração de tablets e computadores. "Ele (o Windows Blue) vai trazer as últimas inovações para um amplo número de formatos, tamanhos, telas, baterias e desempenho", afirmou ela no site da Microsoft. "A versão atualizada do Windows Blue é também uma oportunidade para respondermos aos comentários dos consumidores, aos quais nós estamos escutando de perto desde o lançamento do Windows 8 e do Windows RT."
Reller não deu detalhes sobre as mudanças que serão adotadas da versão reformulada do Windows 8, mas sites de tecnologia já informaram que a empresa deve trazer de volta o botão "Iniciar" que foi retirado da última versão. A falta do atalho, que ficava no canto inferior esquerdo da tela e dava acesso aos principais programas instalados no computador, é uma das principais críticas de consumidores à nova interface gráfica do Windows 8. O botão surgiu no Windows 95 e foi mantido até a versão mais recente do sistema.
Ao Financial Times, a empresa também admitiu falha por não ter preparado melhor os vendedores para que pudessem reeducar os consumidores para a nova experiência tablet/PC do Windows 8. A empresa também reconheceu erros na estratégia de marketing, que se preocupou em pontuar as diferenças e pontos positivos do novo sistema operacional em comparação ao Windows 7.
"É muito claro que poderíamos e deveríamos ter feito mais", disse Reller ao jornal. Para amenizar o fiasco entre usuários de PC, a executiva afirmou que a satisfação dos consumidores do Windows 8 em dispositivos móveis é forte.
Analistas compararam a estratégia falha ao grande fiasco da New Coke, tentativa de reformulação da famosa bebida Coca-Cola nos anos 1980 - que, pela recepção extremamente negativa dos consumidores, fez a empresa voltar atrás em três meses. "Isto (da Microsoft) é como a New Coke se estendendo por sete meses - só que a Coca-Cola prestou mais atenção", declarou o analista Richard Doherty ao Financial Times.
O Windows 8 foi lançado em outubro do ano passado e foi visto como a grande aposta da Microsoft para concorrer com o sucesso da experiência móvel proporcionada pelo iPad, tablet da Apple.
Em novembro, uma pesquisa feita pela empresa de segurança Avast com 350 mil clientes do seu software de antivírus revelou que cerca de 70% dos usuários de Windows não queria atualizar seu software para Windows 8.
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